Jennifer Lopez - "Dance Again (feat. Pitbull)"

Não tem jeito. Em todos os lugares você vai ver a mesma frase sendo referida ao novo single de Jennifer Lopez: “Não se mexe em receita que dá certo”. “Dance Again” tem uma fórmula latina [mais uma vez], um verso do Pitbull [mais uma vez] e foi produzida pelo RedOne [mais uma vez]. JLo não poderia ser mais direta. Ela não quer perder a oportunidade de fazer o retorno mais bem-sucedido de sua carreira. Com mais de cinqüenta milhões de discos vendidos e cada aspecto da área do entretenimento conquistado [música, dança, cinema, moda e televisão], ela está por cima novamente. Continua como jurada do American Idol, fazendo milhões com sua linha de roupas e essa é a desculpa perfeita para prolongar sua evidência nas FMs. Os tempos de Rebirth e Brave foram amargos, não há por que desperdiçar uma chance dessas.

Pitbull emerge mais eufórico do que nunca para roubar a canção para si. As participações dele são as partes mais empolgantes da música, ao ponto de esperarmos com ansiedade o segundo verso. Talvez nem devesse ser assim, já que essa é a terceira parceria dos dois, mas é que a experiência do rapper com esse tipo de beat sempre dá certo. Ver Jennifer mergulhando de vez nesse gênero também é algo satisfatório. Desde singles como “Play” ou “Waiting For Tonight” sabíamos que o pop eletrônico era um dos fortes dela — por mais que houvesse insistência em tentar ressignificar o hip-hop. Claramente este é um estilo que não requer muita qualidade vocal e que entrega ao artista a oportunidade de grandes performances nos shows e clipes.



“Dance Again” é uma boa música, mas o que a estraga é o impulso de repetir “On The Floor”. Cada mínimo elemento da carro-chefe do Love? foi vomitado de volta, mas o fator X daquele sucesso já tinha sido digerido. Cadê o sample vencedor? Nem venham dizer que isso é o de menos. É a única explicação para nenhuma música depois daquela ter dado certo, e vale lembrar que os samples assumiram um grande papel ao longo dos hits mais recentes [I'm Real Remix, Get Right e algumas outras são bons exemplos disso]. A falta daquele fascínio é sentida principalmente pelo excesso de camadas no ritmo, são três vibes diferentes que guiam o ouvinte a um grande momento que simplesmente não acontece. Note que o que está sendo dito aqui não é que Jennifer só pode fazer sucesso com músicas sampleadas, mas sim que esse foi o único elemento que faltou para fechar o ciclo de semelhança com ‘Floor’.

É perceptível também que RedOne realmente se esforça e dá o melhor de si a alguns artistas com os quais trabalha, porém regurgita a mesma criação por diversas vezes com os outros. Faltou algo mais forte. Até Starships de Nicki Minaj engana com sons genéricos nos versos para estourar um break dançante arrasador depois dos refrões. Por que não tentar algo semelhante aqui? Lopez, nomeada por Pitbull como The world’s most beautiful woman, também vê seu desempenho condenado pelo uso excessivo de efeitos de voz e backing vocals. Quase não sentimos a presença dela na música e provavelmente nem a reconheceríamos se estivéssemos escutando a canção pela primeira vez na rádio. Isso vai exigir um excelente plano de Marketing para decolar nas paradas contemporâneas. Será que os melhores tempos da música de Lopez ficaram para trás?

Ainda não está decidido, mas ao que tudo indica “Dance Again” será single especial para o lançamento do primeiro Greatest Hits da carreira da latina.

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