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Marina and The Diamonds - 'Electra Heart'

Marina and The Diamonds nunca esteve tão ambiciosa. Ironicamente ou não, a moça caiu no Mainstream e certamente passará a se tornar mais reconhecida com o novo álbum. Em Agosto do ano passado, ela assumiu uma nova personalidade e a apresentou aos fãs através do clipe de "Fear and Loathing". A faixa, que fecha o novo disco, fala sobre despertar um novo 'eu' sem temer o que virá em consequência disso:
"Vivi várias vidas diferentes / Fui pessoas diferentes por diversas vezes / Vivi minha vida em amargura / E preenchi meu coração com o vazio / (...) / Tenho pessoas diferentes na minha cabeça / E me pergunto qual delas agradará mais"
No dia em que fez o Upload do vídeo no Youtube, Marina compartilhou o conceito que envolveria o novo material. Electra Heart "incorpora as mentiras, as ilusões e a morte do sonho americano". A personagem dessa era tem um relacionamento prejudicial com Hollywood, uma preferência pelo lado melancólico da vida e sérios problemas emocionais.

"Miss Electra é a antítese de tudo pelo que eu prezo. A importância de introduzi-la dessa forma e criar todo um conceito ao redor dela é evidenciar o lado corrupto da ideologia americana, e basicamente a corrupção de si mesmo. Meu maior medo é me perder em mim mesma ao ponto de me tornar uma pessoa vazia. Isso acontece por diversas vezes quando a ambição se sobressai", disse em entrevista ao Pop Justice.
Com The Family Jewels, de 2010, Marina se estabilizou como uma artista relativamente independente e com o dom de descrever perfeitamente qualquer tipo de sentimento com facilidade. Lembro de ter assistido uma entrevista no ano passado na qual ela declarava estar transtornada por não ser maior e mais influente no mercado. Provavelmente foi aí que ela percebeu que para chegar no patamar que desejava, precisaria destruir-se e refazer-se no minuto seguinte em uma roupagem mais contemporânea.

Nomes como Stargate e Dr. Luke foram convocados para a tarefa de transformarem aquele som em algo mais radiofônico, eletrônico e artificial. As tendências estão todas espalhadas pelo set coeso de doze faixas. Rola dubstep, guitarrinhas e refrões chiclete, um combo que pode espantar a parcela mais indie dos seguidores. Mas ao mesmo tempo, Marina mantém sua identidade lírica construindo um conteúdo muito mais forte em mensagem do que seu predecessor. Produção é importante, mas num trabalho onde as letras e o conceito se destacam tão agressivamente, as melodias ficam em segundo plano. Ela consegue transitar sem fronteiras entre o a dor, o humor, o sarcasmo e o romantismo como poucos. Em 2009, Lily Allen lançou um álbum que também seguia essa linha. "It's Not Me, It's You" continha letras espertas e irônicas disfarçadas sob uma pesada indumentária Pop. A semelhança não é por acaso, os dois projetos tem Greg Kurstin como produtor executivo comum.



Visualmente, “Electra Heart” foi inspirado pelo filme clássico The Valley of the Dolls. As imagens promocionais destacam uma dona de casa suburbana da década de 60. Talvez numa tentativa de personificar o espírito conservador daquela época, onde as mulheres precisavam se submeter a seus maridos sob qualquer circunstância para evitar burburinhos na rua.

A carro-chefe oficial do disco é Primadonna. É dançante até não poder mais, entretanto os comentários pseudo-sociais continuam ali dando uma cara meio conceitual ao negócio. A voz sempre bem colocada faz a diferença mais uma vez. Na verdade, essa faixa teria todo o aparato para ser um grande hit nas mãos de qualquer cantora convencional, porém é justamente a interpretação teatral que põe o trem de volta aos trilhos. A primeira parte é a representação mais superficial de Miss Electra, fala do desejo pelos holofotes, pelo glamour e não oferece muito valor real. A mesma temática faz parte da abertura "Bubblegum Bitch", um Pop-Rock de atitude que me lembrou Cyndi Lauper por algum motivo. "Homewrecker" também faz parte desse nicho e respira os problemas da personagem sem coração com os homens. A partir daí entramos em modo semi-balada.

A sequência Starring Role/The State of Dreaming/Power & Control/Living Dead é de tirar o fôlego, é como uma fusão dos dois extremos, fica ali entre o reflexivo e o espalhafatoso mantendo a força comercial que Marina abraçou tão fielmente nessa nova fase. O restante relembra o sofrimento da maior parte do primeiro cd. As últimas cinco músicas são prova da capacidade vocal que ela tem. Destaque para "Hypocrates" e, claro, "Fear and Loathing".



No fim das contas, Electra Heart é um dos destaques femininos em 2012. Páreo a páreo com "Born To Die" da Lana Del Rey. Ironicamente, ambos compartilham a paixão pelo glamour da época vintage americana e são carregados no aspecto visual. Porém existe um contraste taxativo entre as duas. Enquanto Lana prima pela nostalgia e tenta de todas as formas entrar numa máquina do tempo rumo a três/quatro décadas atrás, Marina se colore com a cultura Pop embarcando na onda elétrica e se moldando em busca de um hit. E você? De qual lado está?

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